segunda-feira, 6 de abril de 2026

COM TÚLIO NA CHAPA, RAQUEL APOSTA NO “BERNADISMO”

 

Com Túlio na chapa, Raquel aposta no “bernardismo”

O discurso pró-lula do deputado Túlio Gadelha, que se transferiu da Rede para o PSD, como pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), carece — e muito — de um mínimo de coerência. O lulismo dele é da boca pra fora, de plateia, falso e sem consistência. Vamos aos fatos!

Túlio sempre votou em Ciro Gomes, que bate em Lula e no Governo petista sem piedade. Em 2018, aliás, coordenou a campanha de Ciro ao Planalto em Pernambuco e só votou em Lula no segundo turno. Que histórico ele tem com Lula e o PT? Nenhum!

Discurso oportunista e eleitoreiro. Quer dar uma de honesto, paladino do esquerdismo com o seu suposto eleitorado com viés no campo progressista. Vasculhando o seu passado, descobri que Túlio militou no Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Brizola desde os 19 anos, acreditando numa educação pública de qualidade, trabalho digno e justiça social.

Em 2009, assumiu a coordenação da ULB (Universidade Leonel Brizola) em Pernambuco. Mais tarde, assumiu a Secretaria de Formação da Juventude Socialista em Pernambuco, em seguida foi eleito tesoureiro da Juventude Socialista do PDT no Brasil. Engajado nas causas do Recife e de Pernambuco, construiu uma carreira pública como Diretor-Presidente da Fundacentro, Postal Saúde e do ITERPE (Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco).

Pelo que se viu até aqui, nada que se reporte ao seu perfil lulista, que agora se apresenta. Túlio Bernardes, como assim é conhecido, é, portanto, um cirista, defensor e seguidor de Ciro Gomes. A rigor, Túlio deve sua projeção política ao bernadismo, ou seja, só se elegeu deputado federal em 2018 pegando “carona” na popularidade e fama da jornalista global Fátima Bernardes, sua esposa.

Antes de desfilar com Bernardes no Estado como sua “cabo eleitoral”, não conseguiu sequer se eleger vereador do Recife, em 2012. Na primeira fala como pré-candidato ao Senado, Túlio disse que votará em Lula, mas não arrancou da governadora declaração semelhante, porque Raquel não vai assumir palanque. Quer repetir a postura de neutralidade na eleição presidencial de 2022, mesmo estando acompanhada de bolsonaristas ardorosos, como Gilson Machado, Mendonça Filho, Pastor Eurico e Fernando Rodolfo.

Quando escolheu Túlio como um dos pré-candidatos ao Senado, Raquel com certeza passou a racionar com a hipótese de contar com Fátima Bernardes como “garota” propaganda. Deu certo para eleger Túlio, mas provavelmente se constituirá numa plataforma eleitoral fofa, sem predicativos para convencer e emocionar o eleitor numa guerra majoritária.

(Blog do Magno Martins)