Personagens que em diferentes momentos do atual mandato de Lula estiveram em lados opostos do jogo político, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), agora buscam dividir palanques com o petista em seus estados. A aproximação, que poderia parecer improvável até recentemente, tem uma explicação pragmática: o futuro político de cada um.
O apoio de Motta a Lula, declarado nesta segunda-feira, 10, apenas confirmou uma posição que seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), já havia antecipado. Candidato ao Senado, Nabor sabe da força de Lula na Paraíba e precisa da parcela do eleitorado que gosta do petista para eleger-se. O próprio Motta, que tentará a reeleição para deputado federal, também fez as contas e mira além de outubro: quer o apoio do presidente, se reeleito, para comandar novamente a Câmara na próxima legislatura.
Alcolumbre trabalha com uma lógica parecida. O presidente do Senado atuou para manter o União Brasil neutro nas eleições presidenciais porque sabe que terá pela frente a difícil tarefa de derrotar Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser cotada para a vice de Flávio Bolsonaro (PL), se quiser ser reconduzido ao comando da casa. Ele sabe que, para isso, precisará dos votos dos petistas e dos aliados do PT.
Em ambos os casos, para Lula, a aproximação também interessa, uma vez que ele amplia seus palanques e fortalece alianças regionais. Não se trata de uma aproximação por afinidade, mas por puro pragmatismo. Tanto Motta quanto Alcolumbre, vale lembrar, já impuseram derrotas ao governo em diferentes momentos do atual governo — desde a derrubada da indicação de Jorge Messias para o STF até os embates em torno do IOF e do PL da Dosimetria.
(PLATOBR)