A pretensão de Guimarães, no entanto, encontra concorrência interna. A deputada federal Luizianne Lins (PT) também se coloca como pré-candidata ao Senado, acirrando a disputa dentro da própria legenda.
Atualmente, o PT já ocupa uma cadeira na bancada cearense no Senado, com Augusta Brito, que exerce o mandato enquanto Camilo Santana está licenciado para comandar o Ministério da Educação. A pressão interna do partido para ampliar essa representação, porém, esbarra nos interesses de outras siglas do amplo arco governista, que também buscam espaço na chapa majoritária de 2026.
PSB
Se o PT concentra o comando do Executivo estadual, o PSB aparece como um dos principais pilares da base governista. A sigla figura entre aquelas com maior capilaridade territorial e peso institucional no Estado, fatores que a colocam em posição privilegiada nas negociações para 2026.
O partido se destaca, sobretudo, pelo controle de um grande número de prefeituras. Ao todo, são 72 administrações municipais, o que representa mais de um terço dos municípios cearenses. Essa presença territorial, especialmente no Interior, garante ampla influência regionalizada.
Na Assembleia Legislativa do Ceará, o PSB também exerce papel central. A bancada é a maior da Casa, com 12 parlamentares, incluindo a Presidência do Legislativo estadual. Na Câmara dos Deputados, a legenda tem uma cadeira na bancada cearense.
Entre as principais lideranças locais, o PSB tem como figura central o senador Cid Gomes, que segue como um dos nomes mais influentes da política cearense. O ex-governador é o principal articulador de uma extensa rede de influência partidária entre prefeitos e, por anos, comandou o grupo governista no Estado.
Cid mantém forte poder de articulação nas mesas de negociação. Nos últimos meses, tem reiterado que não pretende disputar a reeleição, mas passou a defender a candidatura de um sucessor: o deputado federal Júnior Mano (PSB). O parlamentar, no entanto, enfrenta denúncias relacionadas a suposto desvio de recursos públicos para compra de votos. O político nega todas as acusações.
Mesmo diante da crise envolvendo o indicado, Cid insiste na candidatura. A eleição de 2026, inclusive, será um marco para o político, já que deve ser a primeira disputa nacional em que o senador estará publicamente rompido com o irmão Ciro Gomes.
PSD
Outra sigla com forte influência municipalista é o PSD, um dos partidos mais pragmáticos e estratégicos do Ceará. A legenda comanda 16 prefeituras, tem quatro deputados estaduais e três federais.
O PSD cumpre uma função estratégica nas composições governistas, já que seus gestores municipais administram cidades médias e grandes, e seus deputados têm trânsito fácil entre diferentes campos políticos.
Após fazer oposição ao Governo Elmano nas últimas eleições gerais, a sigla aderiu à base e consolidou a aliança ao indicar a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Bezerra (PSD). Ela é filha do presidente estadual do partido, Domingos Filho, ex-vice-governador, atual secretário de Desenvolvimento Econômico do Governo Elmano e já citado por governistas como possível candidato ao Senado. Gabriella também é filha da prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar (PSD), e do deputado federal Domingos Neto (PSD).
O PSD é o quarto maior partido da Câmara dos Deputados, fator que reforça sua importância na distribuição de tempo de propaganda eleitoral gratuita e de recursos financeiros.
Republicanos
Entre as siglas que orbitam o campo governista está também o Republicanos, que administra 14 prefeituras no Ceará e conta com dois deputados estaduais.
O Republicanos é o quinto maior partido da Câmara dos Deputados, representação que amplia seu peso eleitoral.
Progressistas
Com 10 prefeituras no Ceará, o PP vive um momento de incerteza no Estado. Uma das siglas mais fiéis ao Governo Elmano, o partido anunciou, em nível nacional, fusão com o União Brasil, que integra a oposição no Ceará.
Sob o comando do secretário das Cidades, Zezinho Albuquerque, e do deputado federal AJ Albuquerque, a legenda soma três cadeiras na Assembleia Legislativa. Em âmbito nacional, o PP tem a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados. Essa representação é um diferencial importante na mesa de negociação, por seu impacto direto no tempo de propaganda eleitoral e no acesso a recursos.
Com a força consolidada no Estado, AJ e Zezinho tentam vencer a queda de braço com lideranças locais do União Brasil e atrair antigos opositores para conduzir a fusão ao campo governista.
MDB
Outra legenda com forte presença municipalista é o MDB, que comanda nove prefeituras no Ceará e conta com três deputados estaduais e dois federais.
Entre suas principais lideranças está o deputado federal Eunício Oliveira, um dos caciques mais tradicionais da política cearense, com interlocução direta tanto com o Palácio da Abolição quanto com a cúpula do Palácio do Planalto.
O político tem manifestado a intenção de disputar novamente o Senado, inclusive com a possibilidade de negociar o espaço atualmente ocupado pela emedebista Jade Romero como vice-governadora do Ceará.
O MDB é o sexto maior partido da Câmara dos Deputados, o que reforça seu peso na distribuição de tempo de propaganda e de recursos eleitorais.
PDT
Além das siglas com maior representação federal, há partidos que mantêm influência relevante no Ceará, como o PDT. A legenda tenta se reestruturar após quase quatro anos de crise, período marcado pela saída de lideranças históricas e pela perda de prefeitos e parlamentares.
Atualmente, o partido comanda cinco prefeituras e tem quatro deputados estaduais — que devem deixar a sigla —, além de quatro deputados federais.
Nas movimentações mais recentes, o PDT sinaliza a intenção de estancar perdas e reorganizar suas bases após o período mais turbulento de sua história no Ceará.
Qual o cenário da oposição no Ceará?
Se no campo governista a disputa se dá pela acomodação de interesses e pela ampliação de espaço, na oposição o desafio central é estruturar um palanque competitivo para 2026.
O bloco reúne partidos e lideranças com perfis distintos, mas que têm feito movimentos de coalizão.
A oposição parte em desvantagem no controle de prefeituras e na ocupação de espaços institucionais, mas aposta no desgaste de governos e na capacidade de mobilização de lideranças com forte recall eleitoral para equilibrar o jogo.
PL
Principal legenda da oposição no Brasil, o PL reúne o campo bolsonarista no Ceará. O partido mantém representação no Legislativo, com dois deputados estaduais e três federais, além de uma base militante fiel, especialmente em segmentos conservadores.
Embora tenha presença municipal limitada, o partido compensa com capacidade de mobilização em disputas polarizadas. A legenda aposta na transferência de votos do bolsonarismo e na narrativa de enfrentamento aos governos federal e estadual.
Tanto nacional quanto estadualmente, o PL foca no fortalecimento no Congresso, especialmente no Senado. Uma das prioridades locais é eleger o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes (PL), para o cargo de senador.
A sigla soma, atualmente, a maior quantidade de congressistas, o que também representa uma vantagem importante na divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita e dos recursos de financiamento de campanha.
No fim do ano, o PL Ceará enfrentou um momento tumultuado após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticar articulações anteriormente autorizadas por seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e tiradas do papel por correligionários locais.
A postura travou a aproximação entre o PL e outras siglas da direita e deixou em aberto a formação de uma frente ampla para 2026.
União Brasil
O União Brasil também aparece como uma das principais forças da oposição no Ceará. Reduto daquele que, por anos, foi o principal nome oposicionista no Estado, o ex-deputado Capitão Wagner, a legenda contabiliza cinco prefeituras cearenses, quatro cadeiras na Assembleia Legislativa e quatro na bancada federal.
Apesar disso, a legenda enfrenta um momento de incerteza. Mesmo com a chegada de um novo nome oposicionista, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, o partido é alvo de uma ofensiva governista, que tenta atrair deputados como Moses Rodrigues — também cotado como candidato ao Senado pelo governismo —, Fernanda Pessoa e Danilo Forte para a base aliada.
A definição dessa disputa interna pode redesenhar o equilíbrio de forças no Estado já no ano eleitoral, seja reforçando significativamente a base governista e desferindo um duro golpe na oposição, seja fortalecendo os oposicionistas diante da ampla coalizão no poder.
PSDB
Após uma sequência de derrotas eleitorais que enfraqueceram a sigla, o PSDB aposta em uma retomada em 2026. Com presença institucional reduzida, o partido mantém apenas quadros pontuais no Estado, com uma prefeitura e uma cadeira na Assembleia Legislativa do Ceará.
No fim deste ano, a partir de uma articulação do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB), a legenda conseguiu a filiação do ex-ministro Ciro Gomes, que retornou ao partido.
O nome do tucano recém filiado tem ganhado força para disputar o Governo do Ceará, em uma composição que poderia formar uma frente ampla com legendas como PL e União Brasil.
A aproximação, contudo, foi suspensa após críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à aliança entre bolsonaristas e o tucano.
Novo
Outra sigla que compõe a oposição é o Novo. A principal liderança do partido no Estado é o senador Eduardo Girão, que lançou pré-candidatura ao Governo do Ceará no fim de 2025 após resistir ao nome de Ciro Gomes.
No fim do ano, o senador recebeu apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defendeu uma frente ampla da oposição em torno de seu nome. O peso eleitoral da legenda é limitado, mas o Novo pode ganhar visibilidade nas negociações da oposição em busca de um acordo para 2026.
(Diário do Nordeste)