Durante pronunciamento na abertura dos trabalhos legislativos de 2026, na Câmara Municipal de Sobral, o prefeito Oscar Rodrigues afirmou que, no município, radialistas e blogueiros estariam fazendo mais oposição à sua gestão do que os próprios vereadores da bancada oposicionista. A declaração, no entanto, provoca um debate necessário sobre o papel institucional de cada ator na democracia.
A imprensa, por definição, não é extensão do governo nem da oposição formal. Seu papel é informar, questionar, fiscalizar e dar voz à sociedade, especialmente quando há temas de interesse público que exigem transparência e explicações. Exercitar o contraditório e apontar falhas não caracteriza oposição política, mas sim o cumprimento da função jornalística.
Se há vereadores que fiscalizam pouco ou deixam de exercer plenamente o mandato conferido pelo voto popular, essa é uma questão interna do Poder Legislativo e da relação desses parlamentares com seus eleitores. A eventual fragilidade da atuação oposicionista na Casa do Povo não pode — nem deve — ser atribuída à imprensa, que atua de forma independente e não substitui o papel constitucional dos vereadores.
Ao demonstrar indignação com a postura de comunicadores, o chefe do Executivo acaba deslocando o foco do debate. A crítica jornalística não surge por acaso: ela é reflexo de decisões administrativas, políticas públicas, prioridades orçamentárias e impactos reais na vida da população. Onde há poder, há escrutínio — e isso é um pilar da democracia.
Mais do que se incomodar com questionamentos, espera-se de qualquer gestor público maturidade institucional para compreender que uma imprensa livre e atuante fortalece a democracia, ainda que provoque desconfortos momentâneos. O contraditório não enfraquece governos; o silêncio, sim.
(Blog Sobral em Revista)