A passagem de bastão dos ministros que vão disputar eleições para aqueles que permanecerão durante o período eleitoral está marcada para esta terça-feira, 31, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará uma reunião com toda a equipe. O prazo de desincompatibilização dos ocupantes de cargos que pretendem concorrer em outubro termina no sábado, 4, e pelo menos 18 ministros deixarão seus postos. Lula aposta na força política da equipe para tentar aumentar a bancada que o apoiará caso conquiste o quarto mandato no Planalto.
Embora a maioria dos ministros já tenha os destinos traçados, ainda há dúvida sobre o caminho a ser tomado por exemplo por Camilo Santana (Educação), visto por Lula como o nome capaz de fazer frente à candidatura de Ciro Gomes (PSDB), apontado como favorito nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Ceará, .
Lula chegou a anunciar a saída de Camilo da pasta nesta semana, e o colocou como reserva do atual titular Elmano de Freitas (PT). Apesar do constrangimento provocado pelas declarações do presidente, o governador manteve seu nome na disputa. O ministro da Educação, de acordo com petistas, sairá da pasta e reassumirá sua vaga no Senado, servindo de base para o governo até que haja uma decisão de Lula sobre a chapa no Ceará.
No Ceará, outra dúvida política diz respeito às substituições na equipe e candidaturas. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), vem há mais de dois anos construindo seu nome para disputar o Senado. Na última semana, porém, ele passou a ser considerado pelo presidente como substituto da ministra Gleisi Hoffmann para a SRI (Secretaria de Relações Institucionais).
A ideia inicial era substituir Gleisi por Olavo Noleto, atual presidente do Conselhão e um dos secretários mais próximos da ministra. Lula, porém, reavaliou a escolha. A mudança de rumo se dá por dois motivos. Um deles é o entendimento de que é prudente que a interlocução com o Congresso seja feita por um parlamentar e, principalmente, com bom trânsito na Câmara. Para petistas, Guimarães tem o perfil ideal para o posto por reunir características de ponderação e diálogo nas negociações com o centrão e outros setores do Congresso.
Mas Guimarães não quer o cargo no Planalto. No sábado, 28, em discurso feito em Sobral (CE), ele disse que não abre mão da candidatura ao Senado. O líder na Câmara confirmou ter sido sondado para a SRI por um emissário de Lula. Segundo contou, ele respondeu que pretende continuar em Brasília, mas como senador no ano que vem.
Outro nome que surge no radar para o lugar de Gleisi é o do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social), que já tomou a decisão de permanecer no governo e tirar férias para ajudar na campanha de Lula à reeleição. Membros do governo também indicam o seu nome como capaz de evitar que a relação com o Legislativo se deteriore durante a campanha. O desejo do ministro, no entanto, é permanecer à frente da pasta que controla o principal cartão de visita do governo, o programa Bolsa Família.
Abaixo, os ministros que deixam o governo, os cargos que devem disputar (ou os mais prováveis), os estados e os respectivos partidos: