Do ponto de vista estratégico, após o resultado das urnas no último dia 4 e diante dos resultados das mais recentes pesquisas de intenção de votos, os dois tratam do assunto sob óticas diferentes: para Lula, os debates podem ajudar a reverter a vantagem do rival, numa espécie de “mata-mata”, e para Flávio a palavra de ordem é cautela para não se expor a riscos.
O novo coordenador da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que Lula participará dos debates da Band e da TV Globo. Auxiliares apostam que, no cara a cara, a larga experiência do presidente-candidato em situações do tipo pode ajudá-lo a criar embaraços para Flávio. Eles garantem que o petista está “bastante animado” com a ideia. Lula deve explorar, por exemplo, a ideia de que o candidato do PL, se eleito, poderia promover cortes em programas sociais. “Sem dúvida, é um momento decisivo em uma eleição com alto percentual de abstenções”, diz a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
Do lado de Flávio, a participação nos debates divide opiniões. Com a vantagem obtida no primeiro turno, uma ala da campanha passou a defender que ele evite confrontos públicos capazes de elevar sua rejeição. A estratégia, nesse caso, seria não ir aos debates e concentrar a agenda em sabatinas. Essa avaliação, contudo, parece não ter encontrado tração no núcleo duro do comitê do PL, que sustenta que “Flávio estará no [debate] em que o Lula estiver”.
Esses integrantes da campanha ressaltam que a participação do candidato estará condicionada ao respeito às regras estabelecidas pelas emissoras e à garantia de que elas serão consideradas pelo TSE. Flávio tem feito simulações e sessões de media training já pensando nos confrontos. Ele pretende reforçar o discurso de que o Brasil quer mudança — e que isso foi determinante para sua vantagem no primeiro turno.
(PLATOBR)
