Vem aí uma reforma ministerial forçada. Por determinação da legislação eleitoral, os integrantes do governo que quiserem disputar cargos nas urnas em outubro precisam se desincompatibilizar dos cargos até 6 de abril. A debandada no primeiro escalão obriga Lula a trocar auxiliares que chegaram aos postos depois de negociações meticulosas com grupos e partidos políticos.
O presidente terminou 2025 ainda sem terminar de aparar arestas com a cúpula do Congresso. Com a iminente saída de boa parte dos ministros, ele precisará cuidar para não provocar insatisfações entre os aliados que indicaram os atuais titulares das pastas. O risco é provocar insatisfações, desfazer o equilíbrio de forças políticas que apoiam o Planalto e comprometer a governabilidade no primeiro semestre deste ano e as alianças eleitorais para outubro.
A saída de algum aliado ou a entrada de um adversário pode provocar descontentamentos, principalmente, nos palanques regionais. É por isso que Lula planeja nomear para as vagas abertas, preferencialmente, os atuais secretários-executivos. Essa fórmula facilita a manutenção das pastas sob a influência das mesmas forças políticas.
São esperadas as saídas de cerca de 24 ministros. Entre os que deixarão os cargos estão os titulares das duas pastas mais poderosas do governo: Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil). Costa será candidato a uma vaga no Senado. Sua substituição deve seguir a orientação de Lula de escolher para a vaga quem ocupa a secretaria-executiva: Miriam Belchior, filiada ao PT de São Paulo, com larga experiência em governos do partido.

Na chamada cozinha do Planalto, somente o recém-chegado Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) permanecerá no posto. Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) sairá para concorrer à reeleição como deputada federal no Paraná. O nome cotado para assumir o posto é do secretário Marcelo Costa, que é médico e diplomata, muito ligado à ministra e ao PT. Marcelo Costa trabalhou com Gleisi no Senado e com Haddad na Prefeitura de São Paulo. O chefe da Secom (Comunicação), Sidônio Palmeira, deve deixar o cargo de ministro para cuidar da imagem de Lula na campanha à reeleição.
O destino de Haddad ainda não está selado. O que se sabe até o momento é que ele deixará a pasta em fevereiro e que o nome mais provável para conduzir a economia neste ano é o do secretário Dario Durigan. Haddad, no entanto, resiste ao plano do PT e de Lula de lançá-lo candidato ao Senado ou ao governo de São Paulo. Ele sinaliza intenção de coordenar o programa da campanha presidencial para esse ano, mas as pressões são cada vez maiores para que ele concorra nas urnas.
Também devem deixar o governo os ministros Camilo Santana (Educação), talvez candidato ao governo do Ceará, Renan Filho (Transportes), candidato ao governo de Alagoas, Simone Tebet (Planejamento), candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul ou São Paulo, Marina Silva (Meio Ambiente), candidata à reeleição na Câmara ou ao Senado, André Fufuca (Esporte), que avalia se disputará o Senado ou o governo do Maranhão, Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), candidato ao Senado por Pernambuco, Alexandre Silveira (Minas e Energia), que tentará o Senado, Jader Filho (Cidades), que buscará uma vaga na Câmara, Carlos Fávaro (Agricultura), que deve se candidatar à reeleição ao Senado.
Além de Boulos, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) não deixará o ministério. Também seguirão no governo os ministros Wolney Queiroz (Previdência), Vinícius Carvalho (CGU), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Márcia Lopes (Mulheres), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), general Amaro (GSI), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) e Esther Dweck (Gestão), além do recém-chegado Gustavo Feliciano (Turismo). Embora o nome de Margareth Menezes (Cultura) tenha sido mencionado como possível candidata a deputada federal pela Bahia, ela também deve permanecer no cargo.
Outro que deve seguir na Esplanada até o final do ano é Luiz Marinho (Trabalho). Ele disse nesta quarta-feira, 7, que não será candidato em 2026 e que ficará no governo até o fim do mandato, a pedido de Lula.
Disputa na Justiça
Lula ainda terá que lidar com riscos na substituição do ministro Ricardo Lewandowski na pasta da Justiça e Segurança Pública. O ministério detém as discussões sobre um ponto dos mais sensíveis para as eleições de 2026, a questão da Segurança Pública e, nesse caso, a possível nomeação do atual diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, poderia ser uma solução para um discurso forte nas eleições sobre o combate ao crime organizado. O PT, no entanto, não concorda com a ascensão de Rodrigues e quer que a pasta seja dividida, mas com a nomeação de um dos filiados ao partido.
Outra hipótese é Lula usar a pasta para apaziguar antigas rixas como a que teve com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), preterido por Lula na indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal), aparece nas especulações para a Justiça. Pessoas ligadas ao senador, no entanto, informam que não houve nenhuma sondagem sobre a possibilidade de sua ida para a pasta. Pacheco está em viagem de férias com a família.
(PlatoBR)