O que deveria ser símbolo de identidade, história e respeito virou, em Sobral, cenário de descaso.
O Brasão do Município — um dos principais emblemas oficiais, ao lado da bandeira e do hino — está sendo utilizado, diariamente, como suporte improvisado para exposição de roupas usadas, comercializadas por ambulantes no Largo 5 de Julho, no centro da cidade.
A cena, por si só, já é grave. Mas o que mais chama atenção é o silêncio da gestão do prefeito Oscar Rodrigues diante de um episódio que ultrapassa o limite do aceitável.
Não se trata de um problema pontual ou isolado. Trata-se de um símbolo oficial sendo desrespeitado em espaço público, à vista de todos, sem qualquer tipo de intervenção ou organização por parte do poder público.
Sobral construiu, ao longo dos anos, uma imagem nacional e até internacional baseada em educação de qualidade, gestão eficiente e valorização do patrimônio histórico. Essa construção não foi simples — e, claramente, também não está sendo tratada com o devido cuidado.
Permitir que o brasão da cidade vire “cabide” de bazar é mais do que negligência. É um retrato de desorganização, falta de zelo e ausência de autoridade sobre o espaço público.
É importante dizer: o problema não está no trabalhador ambulante, que busca seu sustento. O problema está na ausência de ordenamento urbano. Cabe à Prefeitura organizar, fiscalizar e garantir que o uso dos espaços públicos respeite a cidade, sua história e seus símbolos.
Quando isso não acontece, o recado é claro: vale tudo.
E não pode valer.
Se não há respeito nem pelos símbolos oficiais do município, o que mais está sendo negligenciado?
A Gestão Novo Tempo precisa entender que governar também é preservar. E preservar começa pelo básico: cuidar daquilo que representa a identidade da cidade.
Sobral não merece esse tipo de cena. E, principalmente, não pode se acostumar com ela.
(Blog Sobral em Revista)