Na véspera, Mendonça rebateu as acusações do colega e pediu a Fachin o arquivamento da representação. A manifestação foi apresentada dentro do procedimento instaurado pelo próprio presidente da corte no início do mês, na tentativa de encaminhar a guerra que tinha acabado de começar. Na ocasião, após ver Mendonça derrubar o sigilo de um relatório que expunha suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes enviou a Fachin relatórios de inteligência da Polícia Federal com alegados indícios de irregularidades na atuação do colega como relator dos inquéritos sobre o Master e escândalo do INSS. O documento de Moraes dizia haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, o que Mendonça nega.
Ainda sem data marcada, o julgamento sobre a conduta de André Mendonça segue condicionado, segundo despacho de Fachin, à definição da questão de ordem levantada na sessão de 15 de setembro, que deveria ter tratado da abertura de uma investigação sobre a relação de Moraes com Vorcaro. A sessão acabou suspensa por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. No lugar da discussão sobre as acusações levantadas por Moraes contra Mendonça, o plenário do STF retomará nesta quarta a análise da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 7465, que busca equiparar os direitos de mães adotivas e biológicas à licença-maternidade — o placar está em 4 a 0 favorável à equiparação —, além de recursos sobre regime previdenciário de servidores públicos e correção monetária de depósitos judiciais, entre outros processos. O adiamento das decisões relacionadas à guerra interna travada no tribunal está em linha com o movimento da ala alinhada a Moraes, que vinha defendendo, inclusive publicamente, deixar os encaminhamentos para depois das eleições — o que amplia as chances de a pressão da opinião pública por providências arrefecer.
(PLATOBR)