segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

CONSTITUIÇÃO FEDERAL: ELEIÇÕES LIVRES E DEMOCRÁTICAS SÃO ELEMENTO-CHAVE

No ano passado, no dia 5 de outubro, a Constituição Federal de 1988 completou 35 anos. Ela é a garantidora da democracia brasileira. Em seu artigo 14, a Carta Magna estabelece que a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos. Além dos avanços democráticos que proporcionou, a Constituição consagrou o princípio da regularidade das eleições (tantos as gerais quantos as municipais), feitas de maneira direta e simultânea em todo o país. Este ano, o Brasil escolherá seus representantes municipais – prefeito, vice-prefeito e vereador – em mais uma eleição totalmente transparente, segura e auditável por meio da urna eletrônica.

Confira como a história do país mostra que nem sempre o sufrágio foi universal e a soberania popular acabava sendo desrespeitada por conta de fraudes eleitorais, extintas pelo sistema eletrônico de votação.


Construção da democracia

Apesar de ser um país com grande experiência em eleições, a história do Brasil mostra que o processo eleitoral teve, geralmente, uma participação limitada da população, seja por meio de barreiras impostas por questões de renda, escolaridade, gênero ou raça. Em 1932, ano de criação da Justiça Eleitoral brasileira, o primeiro Código Eleitoral garantiu o voto feminino. Dessa forma, retirou um entrave no caminho da universalização do voto no país.

Porém, cinco anos depois, em 1937, com o golpe do Estado Novo e a interrupção da ordem democrática, houve a extinção da Justiça Eleitoral. Assim, desde 1532, começava o único período em que não houve eleição no Brasil. Como o último pleito ocorrera em 1934, para a Câmara dos Deputados e para as Assembleias Legislativas estaduais, o eleitorado só voltou a votar 11 anos depois, em 1945, após o fim do Estado Novo e a reinstalação da Justiça Eleitoral. Foi o Código Eleitoral de 1945 (Lei Agamenon Magalhães – Decreto-lei nº 7.586, de 28 de maio de 1945) que resgatou grande parte das atribuições que a Justiça Eleitoral possuía em 1932.

Na redemocratização do país, com o fim do regime militar (1964-1985), a Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985, acabou com a proibição do voto para a pessoa analfabeta, que vigorava há 104 anos. Três anos depois, a Constituição de 1988 finalmente consagrou o sufrágio universal, inserindo o Brasil na lista das maiores democracias do mundo.

Combate a fraudes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o Tribunal da Democracia. Entre as atribuições administrativas da Corte está organizar, preparar e promover eleições plenamente auditáveis, transparentes e seguras. Combater as fraudes eleitorais sempre foi uma das prioridades da Corte. Para eliminá-las de vez, a Justiça Eleitoral desenvolveu a “máquina de votar”, que já era prevista no Código Eleitoral de 1932.

A informatização do processo eleitoral brasileiro teve início em 1985. Nas Eleições Municipais de 1992 houve a totalização eletrônica dos resultados do pleito em cerca de 1800 municípios. Em 1993, a apuração do plebiscito nacional para a escolha da forma e do sistema de governo foi eletrônica em todos os municípios brasileiros. A eleição geral do ano seguinte também foi finalizada dessa forma.

Para completar a informatização do processo eleitoral, o TSE instituiu, em 1995, a Comissão de Reforma da Legislação Eleitoral e a subcomissão de informática, composta por membros de outras instituições públicas. Com isso, os tribunais regionais desenvolveram diversos protótipos para informatizar o voto. O que mais se aproximou da solução almejada pela Justiça Eleitoral foi o projeto do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). A partir disso, o resultado foi a criação da urna eletrônica.

Urna eletrônica

As Eleições Municipais de 1996 marcaram a estreia da urna eletrônica. Elas foram utilizadas nos municípios com mais de 200 mil eleitores, além da cidade de Brusque (SC). Nas Eleições Gerais de 1998, o uso do equipamento cresceu. Em seguida, o pleito municipal de 2000 foi o primeiro 100% informatizado, do voto à totalização. Terminava de vez a era da votação por cédulas de papel no Brasil. Assim, as fraudes eleitorais foram extintas com a automatização dos processos de coleta e apuração dos votos.

Vinte e seis anos depois da estreia da urna eletrônica, ao apresentar em Plenário os números do primeiro turno das Eleições Gerais de 2022, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, falou sobre o relatório de uma entidade observadora sobre o pleito. O ministro informou que o documento da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) reiterou a total transparência, segurança e auditabilidade das urnas eletrônicas. “Nossas urnas mostraram novamente que não há no mundo uma eleição tão segura, confiável, auditável e com apuração tão rápida quanto a brasileira”, declarou o presidente da Corte.

A PALAVRA DO DIA


Evangelho (Mc 5,1-20)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia. (Lc 7,16)

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi a seu encontro.

Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo.

Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. Vendo Jesus de longe, o endemoniado correu, caiu de joelhos diante dele e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!” Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!” Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. 10 E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região.

11 Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12 O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13 Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada — mais ou menos uns dois mil porcos — atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14 Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15 Elas foram até Jesus e viram o endemoniado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído por Legião. E ficaram com medo.

16 Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoniado e com os porcos. 17 Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18 Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoniado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19 Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”. 20 E o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

FLAMENGO É O TIME MAIS VALIOSO DO BRASIL


Flamengo é o time mais valioso do Brasil, de acordo com um estudo divulgado pela Sports Value, com 30 times do futebol nacional.

Os valores são estimados em R$ 33,2 bilhões, mesma cifra de 2022. No entanto, o levantamento aponta que algumas equipes subiram no ranking, enquanto outras caíram em decorrência do rebaixamento.

Para a metodologia, a Sports Value considerou todos os ativos do clube: do dinheiro no caixa, à aplicações financeiras, valores a receber. No rol de ativos estão centros de treinamento, estádio e edificações.

Flamengo: R$ 4.516 bilhões;
Palmeiras: R$ 3.573 bilhões;
Corinthians: R$ 3.071 bilhões;
Atlético-MG: R$ 2.953 bilhões;
São Paulo: R$ 2.214 bilhões;
Internacional: R$ 2.214 billhões;
Athletico-PR: R$ 2.090 bilhões;
Fluminense: R$ 1.449 bilhões;
Red Bull Bragantino: R$ 1.187 bilhões;
Santos: R$ 1.184 bilhões:
Grêmio: R$ 1.037 bilhões;
Cruzeiro SAF: 766 milhões;
Fortaleza SAF: R$ 636 milhões;
Botafogo SAF: R$ 598 milhões;
América-MG SAF: R$ 582 milhões;
Coritiba SAF: R$ 565 milhões;
Vasco da Gama SAF: R$ 503 milhões;
Sport: R$ 468 milhões;
Bahia SAF: R$ 459 milhões;
Atlético-GOF: R$ 450 milhões;
Ceará: R$ 420 milhões;
Goiás: R$ 339 milhões;
Cuiabá SAF: R$ 311 milhões;
Santa Cruz: R$ 263 milhões;
Avaí: R$ 262 milhões;
Náutico: R$ 246 milhões;
Ponte Preta: R$ 241 milhões;
Juventude: R$ 218 milhões;
Portuguesa-SP: R$ 184 milhões.

domingo, 28 de janeiro de 2024

A PALAVRA DO DIA


Anúncio do Evangelho (Mc 1,21-28)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

21 Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar.

22 Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.

23 Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25 Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”

26 Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27 E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28 E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

REITOR DA UFC CUSTÓDIA ALMEIDA VISITA PREFEITO IVO GOMES


prefeito de Sobral, Ivo Gomes, recebeu, na manhã desta sexta-feira (26/1), a visita do magnífico reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor Custódio Almeida, com quem conversou sobre a continuidade e inovação de importantes parcerias entre a instituição e a Prefeitura.

“A UFC sempre foi uma grande referência e produtora de conhecimento para nos ajudar nas soluções aqui no município de Sobral. Na ocasião, também pensamos sobre uma possível integração entre o campus do Mucambinho e a nova escola de Ensino Fundamental que estamos construindo no Tamarindo.”, escreveu o prefeito em tom de comunicado nas suas redes sociais.

CHAMADO DE “FROUXO”, PACHECO REAGE A VALDEMAR: “FAZ POLÍTICA PARA GANHAR FUNDO ELEITORAL”


A operação da Polícia Federal (PF) contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) nesta quinta-feira (25) tensiona a relação da cúpula do Senado com integrantes da oposição. Congressistas querem descobrir quem entre eles foi espionado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). O presidente do PL, partido de Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, chegou a chamar o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de “frouxo”.

A declaração fez Pacheco, geralmente comedido nas palavras, reagir de maneira dura. “Difícil manter algum tipo de diálogo com quem faz da política um exercício único para ampliar e obter ganhos com o fundo eleitoral e não é capaz de organizar minimamente a oposição para aprovar sequer a limitação de decisões monocráticas do STF. E ainda defende publicamente impeachment de ministro do Supremo para iludir seus adeptos, mas, nos bastidores, passa pano quando trata do tema”, declarou, sem citar o nome do presidente do PL, mas em recado direto.

Na manhã desta quinta-feira (25), Valdemar Costa Neto acusou a PF de perseguição e disse que Pacheco “deveria reagir e tomar providências”. “É mais uma perseguição do ministro Alexandre de Moraes contra bolsonaristas e a direita do país. Mas isso só ocorre pelo fato de termos um presidente do Congresso frouxo. O Rodrigo Pacheco deveria agir pelo impeachment dele. A função do Ramagem, à frente da Abin sempre foi investigar”, disse Valdemar ao Globo.

Segundo apurou o Congresso em Foco, descobrir essa lista é visto como indispensável por líderes do Senado. O sentimento na cúpula do Congresso é uma reação a informações de que a Abin foi utilizada pelo governo Bolsonaro para espionagem de políticos e outras figuras do poder, como ministros do Supremo Tribunal Federal. Congressistas querem saber quais seriam os alvos das ações ilegais.

QUEM FOI ESPIONADO PELA ABIN E QUEM SE BENEFICIOU, SEGUNDO A PF. VEJA LISTA PARCIAL

Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou diferentes políticos e autoridades entre 2019 e 2021, segundo investigação da Polícia Federal. Decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre o caso expõe alguns dos detalhes da investigação sobre espionagem ilegal na agência na época na qual o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) era diretor-geral.

Ramagem foi alvo nesta quinta-feira (25) de uma operação de busca e apreensão por parte da PF. O tema elevou a tensão entre Congresso e integrantes da oposição.

A Operação Vigilância Aproximada apura um esquema de espionagem montado na Abin para monitorar, ilegalmente, autoridades públicas e cidadãos comuns. É uma continuação das investigações da Operação Última Milha, deflagrada em outubro do ano passado.


Espionados

  • Camilo Santana, então governador do Ceará e atual ministro da Educação – segundo a PF, Paulo Magno, gestor do sistema First Mile, foi flagrado “pilotando um drone” próximo à casa de Santana;
  • Alexandre de Moraes, ministro do STF – foram encontradas anotações que indicam tentativa de associar deputados federais, o ministro e outros congressistas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC);
  • Gilmar Mendes, ministro do STF – também “houve a tentativa de vinculação” do ministro ao PCC, segundo a PF;

“O arquivo ‘Prévia Nini.docx’ mostra a distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”, diz a Procuradoria Geral da República (PGR), segundo decisão de Moraes.

  • Rodrigo Maia, então presidente da Câmara dos Deputados – Abin utilizou a ferramenta First Mile para monitorar conversas do então presidente da Câmara; e
  • Joice Hasselmann, então deputada federal – a Abin utilizou a ferramenta First Mile para monitorar a congressistas, tida na época como uma adversária política do governo.

Apontados como beneficiados

  • Jair Renan Bolsonaro, filho do então presidente Jair Bolsonaro – segundo a PF, a Abin foi utilizada para dar informações ao filho de Bolsonaro relacionadas a investigação da PF sobre suposto tráfico de influência que envolveria Jair Renan;

“Noutros termos, o presente evento corrobora a instrumentalização da ABIN para proveito pessoal. Neste caso o intento era fazer prova em beneficio ao investigado RENAN BOLSONARO”, diz a PF, segundo a decisão de Moraes.

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do então presidente Jair Bolsonaro – de acordo com as investigações, a Abin preparou relatório para auxiliar a defesa do senador.

CONGRESSO RETOMA SUAS ATIVIDADES COM 20 MEDIDAS PROVISÓRIAS NA PAUTA



A sessão de retomada dos trabalhos do Congresso será em 5 de fevereiro / Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília/ Foto: Reprodução Internet

Congresso Nacional retoma os trabalhos em fevereiro com 20 medidas provisórias (MPs) pendentes de votação. A matéria mais polêmica é a que reonera a folha de pagamentos de 17 setores da economia. Outras dez proposições liberam R$ 96 bilhões para a quitação de precatórios e o enfrentamento de desastres climáticos.

Na volta do recesso parlamentar, o impasse gira em torno da MP 1.202/2023. Editada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida provisória restringe os efeitos de uma lei que colocou em lados opostos os interesses dos Poderes Legislativo e Executivo.

Lei 14.784, de 2023, desonera a folha dos setores que mais geram emprego no país. Aprovado pelo Congresso Nacional em novembro de 2023, o texto foi vetado integralmente pelo presidente da República. Em dezembro, senadores e deputados impuseram uma derrota ao Palácio do Planalto e derrubaram o veto.

A nova lei foi promulgada pelo presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco. De acordo com o texto, empresas beneficiadas pela desoneração podem substituir o recolhimento de 20% de imposto sobre os salários por alíquotas que variam de 1% a 4,5% da receita bruta. Para o Parlamento, a medida contribui para a geração de novos empregos.

No dia seguinte à promulgação da norma, o presidente Lula editou a MP 1.202/2023. A proposição admite uma alíquota menor de imposto a partir de abril, mas o benefício fica limitado ao teto de um salário mínimo por trabalhador. Além disso, a proposição estabelece uma redução gradual do benefício até 2027. Para o governo, a mudança é necessária para o país alcançar a meta de déficit zero nas contas públicas.

A medida provisória encontra resistência no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição defendem a devolução do texto ao Poder Executivo. Na última sexta-feira (19), o presidente Rodrigo Pacheco anunciou que o Palácio do Planalto deve revogar o trecho da medida provisória que trata da reoneração. Nesse caso, a desoneração seguiria valendo. Segundo Pacheco, o acordo foi feito após conversas com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— A minha preferência foi pela saída através do diálogo e da construção política com o ministro Haddad e o presidente Lula. Há o compromisso do governo federal de reeditar a medida provisória para revogar a parte que toca à folha de pagamento. Esse é o compromisso político que fizemos — afirmou Pacheco durante evento na Suíça.

A MP 1.202/2023 pode receber emendas entre os dias 2 e 7 de fevereiro. O texto entra em regime de urgência e tranca a pauta de votações da Câmara dos Deputados ou do Senado a partir de 18 de março. A medida provisória perde a validade em 1º de abril, se não for prorrogada por mais 60 dias.

Precatórios

Das 20 medidas provisórias que aguardam o aval do Poder Legislativo, dez abrem créditos extraordinários para diversos órgãos públicos. Juntas, as matérias somam mais de R$ 96 bilhões.

A maior parte dos recursos está concentrada em apenas uma proposição: a MP 1.200/2023, que destina R$ 93,1 bilhões para a quitação de precatórios. Os precatórios são ordens de pagamento expedidas pela Justiça após o trânsito em julgado de ações perdidas pelo poder público.

A MP libera recursos para encargos financeiros da União e beneficia os Ministérios da Previdência Social; da Saúde e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A matéria tranca a pauta de votações a partir de 15 de março e perde a validade em 29 daquele mês.

Desastres climáticos

Das dez medidas provisórias que abrem créditos extraordinários, sete liberam mais de R$ 1,9 bilhão para mitigar os efeitos de desastres climáticos. O Rio Grande do Sul, que decretou estado de calamidade em setembro do ano passado após a passagem de um ciclone extratropical, é o beneficiário exclusivo de três medidas provisórias.

As MPs 1.188/20231.190/2023 e 1.193/2023 destinam um total de R$ 955,9 milhões ao estado gaúcho. Além de permitir a reconstrução de moradias, estradas e pontes, o dinheiro deve financiar os programas nacionais de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), além de um plano emergencial de acesso a crédito.

A Região Norte, atingida pela estiagem em novembro passado, deve receber R$ 400 milhões em créditos extraordinários. As MPs 1.194/2023 e 1.195/2023 liberam recursos para a segurança alimentar e nutricional dos moradores de municípios em situação de calamidade pública.

O Congresso Nacional analisa outras duas medidas provisórias para mitigar danos provocados por desastres climáticos. A MP 1.191/2023 destina R$ 259 milhões para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná, enquanto a MP 1.204/2023 libera R$ 314 milhões para atenuar os efeitos do fenômeno El Niño nas cinco regiões do país.

ICMS

Outra proposição que merece destaque é a MP 1.197/2023. Ela prevê mais de R$ 879,2 milhões para a compensação financeira aos estados e ao Distrito Federal após a queda de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

As perdas de arrecadação foram geradas pela Lei Complementar 194, de 2022, que reduziu a alíquota de tributos sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo — bens e serviços considerados essenciais. O total da compensação devida pela União a estados e municípios supera os R$ 27 bilhões. A MP 1.197/2023 perde a validade em 1º de março.

Programas

O Poder Legislativo também deve decidir sobre medidas provisórias que tratam de três projetos desenvolvidos pelo Executivo. A primeira delas é a MP 1.198/2023, que cria uma bolsa permanência no ensino médio para estudantes de baixa renda. O objetivo da iniciativa é reduzir a evasão e o abandono de estudantes matriculados no ensino médio da rede pública de ensino, com foco naqueles que pertencem a famílias inscritas no Cadastro Único da Assistência Social (CadÚnico).

A segunda é a MP 1.199/2023, que prorroga até 31 de março a duração do Programa Emergencial de Renegociação de Dívidas de Pessoas Físicas Inadimplentes, conhecido como Desenrola Brasil. A prorrogação vale para a faixa 1 do programa, que incentiva a renegociação de dívidas de pessoas com renda mensal até dois salários mínimos ou inscritas no CadÚnico.

Já a MP 1.205/2023 cria o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). Ele tem como objetivo apoiar uma economia de baixo carbono no ecossistema produtivo de automóveis, caminhões, ônibus, chassis com motor, máquinas autopropulsadas, autopeças e implementos rodoviários. Empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento ou produção tecnológica podem obter créditos usados no abatimento de tributos.

O que é uma MP

A medida provisória é uma norma jurídica de iniciativa exclusiva do presidente da República. Ela tem força de lei ordinária desde a publicação e pode ser adotada em caso de urgência e relevância. A conversão em lei específica depende de aprovação pelas duas Casas do Congresso Nacional.

Uma MP vigora inicialmente por 60 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período. Após 45 dias contados da edição, se não tiver sido apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, a MP tranca a pauta de votações da Casa onde estiver sendo examinada. Se não for aprovada no prazo, ela perde a validade desde a edição.

MPs em tramitação 

MP 1.184/2023

Prevê a tributação de aplicações em fundos de investimento

Validade: 4 de fevereiro (prazo prorrogado)

MP 1.186/2023

Enfrenta emergências fitossanitárias ou zoossanitárias

Validade: 19 de fevereiro (prazo prorrogado)

MP 1.188/2023

Libera R$ 360,9 milhões para mitigar efeitos de ciclone no RS

Validade: 27 de fevereiro (prazo prorrogado)

MP 1.189/2023

Regulamenta subvenção econômica a empreendedores atingidos por ciclone no RS

Validade: 5 de março (prazo prorrogado)

MP 1.190/2023

Libera R$ 400 milhões para empreendedores atingidos por ciclone no RS

Validade: 5 de março (prazo prorrogado)

MP 1.191/2023

Libera R$ 259 milhões para municípios afetados por desastres climáticos

Validade: 3 de abril (prazo prorrogado)

MP 1.192/2023

Institui auxílio extraordinário para pescadores atingidos por seca na Região Norte

Validade: 9 de abril (prazo prorrogado)

MP 1.193/2023

Libera R$ 195 milhões para moradia de pessoas de baixa renda após ciclone no RS

Validade: 18 de abril (prazo prorrogado)

MP 1.194/2023

Libera R$ 100 milhões para segurança alimentar de vítimas de seca na região Norte

Validade: 22 de fevereiro

MP 1.195/2023

Libera R$ 300 milhões para auxílio a pescadores atingidos por seca na região Norte

Validade: 22 de fevereiro

MP 1.196/2023

Libera R$ 50 milhões para resgate de brasileiros no Oriente Médio

Validade: 28 de fevereiro

MP 1.197/2023

Libera R$ 879,2 milhões para compensar perdas de arrecadação com ICMS

Validade: 1º de março

MP 1.198/2023

Cria bolsa permanência no ensino médio para estudantes de baixa renda

Validade: 7 de março

MP 1.199/2023

Prorroga Programa Desenrola Brasil

Validade: 21 de março

MP 1.200/2023

Libera R$ 93,1 bilhões para a quitação de precatórios

Validade: 29 de março

MP 1201/2023

Concede remissão de crédito tributário em importação de produtos automotivos do Paraguai

Validade: 31 de março

MP 1.202/2023

Reonera a folha de pagamentos e revoga benefícios fiscais

Validade: 1º de abril

MP 1.203/2023

Reestrutura planos de cargos e carreiras especializadas

Validade: 1º de abril

MP 1.204/2023

Libera R$ 314 milhões para recuperar infraestrutura destruída pelo fenômeno El Niño

Validade: 1º de abril

MP 1.205/2023

Cria Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover)

Validade: 1º de abril

Fonte: Agência Senado