A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar o comando do PL Mulher colocou parte dos aliados de Flávio Bolsonaro em alerta. À coluna, integrantes do partido resumem o momento da ex-primeira-dama como o de uma “bomba ambulante”, completamente imprevisível.
Nos bastidores, há diferentes interpretações para o gesto, anunciado na noite desta terça-feira, 30, por meio de uma nota que não menciona o nome do pré-candidato do PL à Presidência da República.
A versão oficial é conhecida. Michelle vinha amadurecendo havia meses a decisão de entregar o comando do PL Mulher. Aos mais próximos, dizia que conciliar os cuidados com o marido e as atividades partidárias estava cada vez mais difícil.
Ela afirmava que queria fazer “um trabalho de excelência, que desse resultado”. E, na avaliação de aliados, conseguiu. Por um período. Até que a atuação, marcada por forte protagonismo, acabou se tornando inviável diante da crise instalada no clã Bolsonaro.
Há quem veja outro componente na história. Depois da prisão de Jair Bolsonaro, Michelle teria alimentado a expectativa de integrar a chapa presidencial e jamais teria aceitado ser preterida pelo enteado. De lá para cá, tudo seria “birra”. Ela ri dessa leitura e diz que parte de quem não a conhece.
Até as convenções partidárias, entre o fim de julho e o início de agosto, muita coisa ainda pode acontecer, como lembra um assessor da campanha de Flávio. O momento é de disputa por espaço e influência dentro do partido.
Michelle não demonstra se importar com avaliações de que teria “perdido” a queda de braço para Flávio. Ainda assim, deixa perguntas em aberto. A principal delas: será ou não candidata ao Senado pelo Distrito Federal? Não há consenso.
Desde a divulgação do vídeo de Michelle, na semana passada, as reações da ala mais ideológica e ligada a Flávio criaram um “ambiente de revolta” entre mulheres do partido, segundo um parlamentar da direita. “A coisa está feia”, resumiu.
Ninguém sabe ao certo se Michelle pretende realmente abandonar a política e submergir em meio à crise ou se adotará, ainda que de forma não planejada, uma postura de pressão sobre a campanha, na linha de “quero ver ganharem a eleição sem as mulheres” e “se não tem para mim, não vai ter para ninguém” — frases ouvidas nos bastidores do PL e que traduzem esse temor.
(PLATOBR)
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