Por André Beltrão – Dia após dia mantendo-se atrás nas pesquisas, o ex-prefeito e candidato a governador João Campos (PSB) aproveitou o dia de ontem para fazer apelações. Na data que marcou os 12 anos da morte de seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, e os 21 anos do falecimento de seu bisavô, o também ex-governador Miguel Arraes, um vídeo publicado nas redes sociais gerou intensas críticas pelo tom apelativo.
No material produzido por inteligência artificial, João aparece garoto, lamentando a perda do pai, vítima de um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014. Então, aparecem as imagens de Arraes e Eduardo conversando, com vozes idênticas geradas pela IA. O pai então se aproxima do filho, diz que não havia como explicar a morte, mas que ele encontraria seu caminho ao lado do povo.
Na sequência, João, já adulto, conversa com o bisavô, que pergunta como ele chegou até lá, e ele responde que foi o povo que o trouxe.
O exagero na apelação de se vincular aos ex-líderes e parentes tem sido uma tônica na campanha. É a tese ultrapassada do andor, parecendo que basta ser colocado lá e já será ungido e eleito. A equipe não percebeu ainda que essa fórmula já foi gasta nas eleições de Paulo Câmara em 2014 e 2018, e deu no que deu?
As muitas realizações de João pela Prefeitura do Recife não vêm sendo exploradas, e sua campanha ao governo vai ficando marcada por uma tentativa barata de nostalgia. Na próxima semana, com o início da propaganda eleitoral de rádio e televisão, veremos se a linha continuará sendo essa ou se ele de fato mostrará que quem estará nas urnas será ele, não seus antepassados.
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