O objetivo principal da ofensiva é frear, ao menos em parte, o chamado “efeito Nikolas”, como passou a ser chamado o fenômeno dos puxadores de votos, em que políticos com votação acabam elegendo de arrasto vários outros correligionários — muitos deles, com resultado pouco expressivo nas urnas — pelas regras da proporcionalidade. A referência, claro, é ao deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL), que em 4 de outubro teve quase 3,2 milhões de votos e puxou para a lista de eleitos outros 13 nomes do partido. No passado, Enéas Carneiro e Tiririca protagonizaram situações semelhantes.
O que está em jogo é uma proposta que já foi aprovada pelo Senado e estabelece que, depois de os estados serem divididos por distritos, os partidos devem indicar candidatos para disputar as vagas de cada região e vencem os que tiverem o maior número de votos, sem puxar outros integrantes da legenda. A outra metade das vagas permaneceria cumprindo a proporcionalidade prevista na lei eleitoral, com votação em lista fechada, pré-ordenada pelos partidos em convenção. Hoje, a eleição para deputado ocorre em listas que são ordenadas pela quantidade de votos que cada candidato recebeu. Os votos recebidos pelos candidatos e pelos partidos são considerados para definir a distribuição das cadeiras entre as legendas ou federações.
O movimento para aprovar essa proposta ainda nesta legislatura, antes de as grandes bancadas eleitas pelo PL assumirem, é puxado pelo PSD, partido de Gilberto Kassab, e pelo Republicanos, comandado por Marcos Pereira e que tem também em seus quadros o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). Mas não fica por aí. Ao todo, dez partidos estão articulados na iniciativa, incluindo o União Brasil, o PP, o MDB, o Podemos, o PSDB, o Cidadania, o Solidariedade e o PRD.
A ideia é começar as discussões já na semana que vem. O plano é aprovar a proposta na primeira semana de novembro, considerando que, atualmente, os partidos engajados em favor da aprovação somam 271 votos, mais que os 257 necessários. O argumento usado pelos deputados do Centrão é o de que, no novo modelo, o eleitor conhecerá melhor os candidatos nos quais ele estará votando para ser o seu representante na Câmara. “Vamos começar a ter reuniões a partir da semana que vem para já organizar essa votação. O que se espera é uma proximidade maior entre os deputados com as suas bases eleitorais”, argumentou o líder do PSD na Câmara, deputado Antonio Brito (BA).
Ao se colocar como um dos principais articuladores da ideia, Hugo Motta também usa a discussão como forma de angariar apoio para sua recondução ao cargo no próximo ano, apesar de maior bancada ser do PL. No ano passado, ele tentou colocar o texto em votação, mas enfrentou resistência forte do PT e do PL, siglas que ainda são contrárias à mudança. A resistência continua. Enquanto o PL argumenta que a mudança causará confusão na cabeça do eleitor, o PT argumenta que ela servirá a interesses de elites locais.
(PLATOBR)




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