segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DEZ ANOS DO IMPEACHMENT DE DILMA

Em 31 de agosto de 2016, os 81 senadores brasileiros assumiram o papel de julgadores da presidente Dilma Rousseff, em sessão comandada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Ao fim de seis dias e mais de 60 horas de julgamento, 61 votaram pela condenação por crime de responsabilidade e 20 pela absolvição. Dilma, afastada desde maio, perdeu o cargo dois anos e quatro meses antes do fim do segundo mandato.

Exatos dez anos depois, apenas 15 daqueles 81 integrantes continuam no Senado. Entre eles, 11 votaram pelo impeachment e quatro pela absolvição. Os demais foram para outros cargos, deixaram a política, morreram ou tentam retornar ao Legislativo.


15 dos 81 senadores que votaram no julgamento de Dilma, em agosto de 2016, permanecem no Senado.

15 dos 81 senadores que votaram no julgamento de Dilma, em agosto de 2016, permanecem no Senado.Geraldo Magela/Agência Senado | Arte Congresso em Foco

Entre os favoráveis à cassação que permanecem no Senado estão Ciro Nogueira (PP-PI), Davi Alcolumbre (União-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Jader Barbalho (MDB-PA), Magno Malta (PL-ES), Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), Romário (sem partido-RJ), Sérgio Petecão (PSD-AC), Wellington Fagundes (PL-MT) e Wilder Morais (PL-GO). Do grupo contrário ao impeachment, continuam Humberto Costa (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Paulo Paim (PT-RS) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).

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Mapa político desfeito

Dos 11 senadores que votaram pela cassação e continuam na Casa, ao menos quatro estão hoje no campo político de Lula: Eduardo Braga, Jader Barbalho, Omar Aziz e Renan Calheiros.

No Amazonas, Aziz e Braga integram a aliança eleitoral que apoia a reeleição de Lula. Aziz disputa o governo com apoio do presidente; Braga tenta renovar o mandato no Senado. Em Alagoas, Renan também busca a reeleição no campo de Lula. No Pará, o grupo dos Barbalho mantém relação próxima com o governo federal, e PT e MDB estão no mesmo palanque.

Davi Alcolumbre também se aproximou do Planalto. Preside o Senado pela segunda vez e contou com o apoio do PT para retornar ao comando da Casa, mas rejeita ser colocado em um dos polos. Neste ano, afirmou que "não atua como aliado nem como oposição".

Aécio Neves, José Agripino e Romero Jucá, três dos principais líderes que atuaram pela queda de Dilma.Geraldo Magela/Agência Senado

Simone Tebet é outro exemplo da recomposição, embora já não esteja no Senado. Votou pela condenação de Dilma, disputou a Presidência em 2022 e apoiou Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno. Depois, tornou-se ministra do Planejamento e deixou o governo neste ano para concorrer ao Senado por São Paulo, agora pelo PSB.

No outro polo, Magno Malta, Wellington Fagundes e Wilder Morais estão no PL e identificados com o bolsonarismo. Ciro Nogueira foi ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro e preside hoje um PP que adotou neutralidade na eleição presidencial.

Fora do Congresso

Ronaldo Caiado deixou o Senado para governar Goiás e, dez anos depois de votar pela cassação, disputa a Presidência da República para, segundo ele, "tirar o PT do governo". Antonio Anastasia, relator do impeachment, tornou-se ministro do Tribunal de Contas da União.

Aécio Neves, um dos principais líderes da oposição a Dilma, voltou à Câmara. Derrotado pela petista na eleição presidencial de 2014, chegou a questionar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a regularidade daquela disputa. Hoje preside o PSDB. Após anunciar que não disputaria mandato este ano, deve se lançar novamente ao Senado.

Outros integrantes da Casa permaneceram em posições de destaque. Gladson Cameli (PP-AC) deixou o Senado para governar o Acre e tenta retornar ao Senado. Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) tornou-se prefeito do Rio, voltou ao Congresso como deputado federal e disputa novamente o Senado. Eunício Oliveira (MDB-CE) presidiu a Casa entre 2017 e 2019 e retornou à Câmara. Ricardo Ferraço (MDB-ES) tornou-se vice-governador do Espírito Santo e assumiu o governo neste ano. É candidato à reeleição.

Três dos 61 senadores que votaram pela cassação morreram desde então: José Maranhão (PB), Maria do Carmo Alves (SE) e Benedito de Lira (AL).

Prisão domiciliar

Fernando Collor (AL) ocupa um lugar singular nessa história. Ex-presidente submetido a impeachment em 1992, renunciou antes do julgamento final, mas o Senado prosseguiu com o processo e o deixou inabilitado por oito anos para exercer função pública. Mais de duas décadas depois, como senador, votou pela cassação de Dilma.

Hoje, Collor cumpre pena decorrente de condenação pelo STF a oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso da BR Distribuidora. Preso em abril de 2025, passou dias depois ao regime de prisão domiciliar humanitária.

O caminho dos 20 que votaram contra

Os senadores que tentaram manter Dilma na Presidência também seguiram destinos distintos.

Fátima Bezerra (PT) deixou o Senado para governar o Rio Grande do Norte por dois mandatos. Gleisi Hoffmann elegeu-se deputada federal, presidiu o PT, integrou o terceiro governo Lula e tenta voltar ao Senado. Lídice da Mata (PSB) e Lindbergh Farias (PT) retornaram à Câmara.

João Capiberibe (PSB-AP) e Jorge Viana (PT-AC), derrotados na tentativa de renovar os mandatos em 2018, disputam novamente o Senado em 2026. Roberto Requião (PDT-PR) concorre a deputado federal pelo Paraná.

Kátia Abreu (TO), ministra da Agricultura de Dilma e uma das principais defensoras da presidente durante o julgamento, deixou o Senado em 2023 e se filiou ao PT neste ano. Regina Sousa (PT) tornou-se vice-governadora do Piauí e comandou o Estado em 2022.

Paulo Rocha (PT-PA) assumiu a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) passou a dirigir a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Elmano Férrer (PP-PI) ainda exerceu mandato na Câmara como suplente. Angela Portela (RR), Armando Monteiro (PE), Cristovam Buarque (DF), José Pimentel (CE) e Roberto Muniz (BA) não voltaram ao Legislativo federal.

Dilma perdeu o cargo, mas manteve direitos

Depois de cassar o mandato, o Senado votou separadamente se Dilma ficaria inabilitada por oito anos para exercer função pública. Eram necessários 54 votos. A punição recebeu 42, contra 36, com três abstenções. Dilma perdeu a Presidência, mas manteve o direito de disputar eleições e ocupar funções públicas.

Painel eletrônico mostra rejeição da inelegibilidade de Dilma mesmo com a aprovação do impeachment.Geraldo Magela/Agência Senado

Renan Calheiros esteve entre os 61 que aprovaram a cassação, mas rejeitou a segunda punição. "Além da queda, coice", afirmou. "Nós não podemos ser maus, desumanos."

Dilma voltou às urnas em 2018 e concorreu ao Senado por Minas Gerais. Terminou em terceiro lugar, atrás de Rodrigo Pacheco e Carlos Viana. Em 2023, assumiu a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, sediado em Xangai, e foi reconduzida ao posto em 2025.

O placar de 61 a 20 ficou congelado nos registros de uma das sessões mais importantes da história recente do Congresso. As alianças e trajetórias políticas que produziram aquele resultado, não.

O julgamento de 31 de agosto encerrou um processo iniciado em 2 de dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment no mesmo dia em que o PT anunciou que votaria pela continuidade do processo contra ele no Conselho de Ética. Em 17 de abril de 2016, a Câmara autorizou o prosseguimento da denúncia por 367 votos a 137. Em 12 de maio, o Senado abriu o processo e afastou Dilma temporariamente por 55 votos a 22. No dia 31 de agosto, por 61 a 20, os senadores cassaram definitivamente o mandato. Michel Temer, que ocupava a Presidência interinamente desde maio, foi empossado em definitivo no mesmo dia.

(Congresso em Foco)

domingo, 30 de agosto de 2026

A PALAVRA DO DIA


Evangelho (Mt 16,21-27)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

- Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21 Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22 Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!" 23 Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: "Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!" 24 Então Jesus disse aos discípulos: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta".

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

CURY PROPÕE IA EM VEZ DE SERVIDOR E DRONE CONTRA FEMINICÍDIO EM SABATINA NA GLOBO

candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, participou neste sábado (29) da sabatina da TV Globo. Entre os destaques das propostas apresentadas estão a redução da estrutura do governo federal, a substituição de servidores por inteligência artificial, a revisão de cargos comissionados e contratos, a tributação mais pesada das bets e o uso de drones no combate à violência contra a mulher.

Cury voltou a apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização política e colocou o equilíbrio das contas públicas entre as prioridades de um eventual governo.

A sabatina colocou o presidenciável diante de uma das maiores vitrines de sua campanha até agora e obrigou o candidato, estreante em uma eleição presidencial, a explicar como pretende transformar seu discurso em medidas concretas.

Corte de gastos

Logo na primeira pergunta, o candidato afirmou que a dívida pública atingiu patamares preocupantes e defendeu maior responsabilidade na administração das despesas federais. Quando questionado sobre a forma de colocar essa ideia em prática, Cury sugeriu substituir novas contratações de servidores públicos por inteligência artificial.

"Se tivermos responsabilidade de gerir de maneira adequada e inteligente toda a máquina pública e não contratássemos mais colaboradores, entrássemos com inteligência artificial e digitalizássemos toda a máquina pública, nós certamente conseguiríamos economizar o suficiente.

(CONGRESSO EM FOCO)

sábado, 29 de agosto de 2026

A PALAVRA DO DIA


Evangelho (Mc 6,17-29)

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

- Felizes os que são perseguidos, por causa da justiça do Senhor, porque o Reino dos Céus há de ser deles!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17 Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18 João dizia a Herodes: "Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão". 19 Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20 Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21 Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22 A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: "Pede-me o que quiseres e eu to darei". 23 E lhe jurou dizendo: "Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino". 24 Ela saiu e perguntou à mãe: "O que vou pedir?" A mãe respondeu: "A cabeça de João Batista". 25 E, voltando depressa para junto do rei, pediu: "Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista". 26 O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27 Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28 trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29 Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ELEIÇÕES 2026: HORÁRIO ELEITORAL COMEÇA

 

Com a estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão nesta sexta-feira (28), partidos, federações e coligações passam a disputar a atenção de mais de 158 milhões de eleitores também na programação diária das emissoras. 

A veiculação, regulamentada pela Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segue até 1º de outubro, antevéspera do turno. A campanha deste ano inicia, ainda, sob normas específicas para o uso de inteligência artificial (IA).

Confira as principais regras. 

Mídia tradicional 

O horário gratuito na TV e no rádio terá dois formatos nos próximos 35 dias. 

  • Programas em bloco: exibidos em rede nacional, com escala alternada entre os cargos em disputa (presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital). 

  • Inserções comerciais: as emissoras devem reservar 70 minutos diários da programação para comerciais de 30 e 60 segundos, distribuídos entre 5h e 0h. 

Inteligência artificial  

A Justiça Eleitoral reforçou as regras contra a manipulação de conteúdos audiovisuais que possam induzir eleitores ao erro. 

  • Deepfakes: é proibida a utilização de conteúdo sintetizado por inteligência artificial para criar, alterar ou clonar voz e imagem de pessoas reais com o intuito de difundir declarações falsas ou descontextualizadas. 

  • Aviso obrigatório: o uso de IA na criação de peças, como computação gráfica ou tratamento de áudio, é permitido, desde que haja aviso claro, explícito e acessível de que a imagem ou o som foi processado por tecnologia. 

Transparência no digital 

Na internet, onde a propaganda está liberada desde o dia 16 de agosto, as regras priorizam o rastreamento de dados e a proteção da privacidade dos cidadãos. 

  • Cadastro prévio: canais oficiais, sites, blogs e perfis em redes sociais utilizados por campanhas devem constar do registro da candidatura. Perfis criados no decorrer da disputa precisam ser comunicados ao TSE em até 24 horas. 

  • Descadastramento: mensagens por WhatsApp, SMS ou e-mail devem oferecer opção visível para que o destinatário possa interromper os envios. Após o pedido, a equipe do candidato tem até 48 horas para retirar o contato da base de dados. 

Regras de campanha 

  • Até 15 de agosto: pré-candidatos podiam conceder entrevistas, fazer lives, apresentar propostas e pedir apoio formal, mas não podiam pedir explicitamente votos. A conduta configura propaganda antecipada e pode gerar multa. 

  • A partir de 16 de agosto: o pedido de voto passou a ser permitido nos meios autorizados, como ruas, comícios, internet e materiais impressos. 

  • A partir de 28 de agosto: começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. 

Controle na rua 

A fiscalização sobre a movimentação das campanhas também foi reforçada. Atos públicos de grande porte que envolvam custeio de combustível por partidos, coligações ou candidatos, como carreatas e passeatas, devem ser comunicados formalmente à Justiça Eleitoral com antecedência mínima de 24 horas.  

Segundo o TSE, a medida busca cruzar dados de logística com as prestações de contas parciais enviadas pelos comitês. 

O 1º turno das Eleições Gerais de 2026 será em 4 de outubro de 2026, com eventual 2º turno no dia 25 do mesmo mês. O TSE estima o uso de 564 mil urnas eletrônicas para votação das eleitoras e dos eleitores.