Cinquenta e sete anos depois, sem ditadura militar, sem presos políticos, sem censura dos meios de comunicação e sem sequestros, o país assistiu na televisão à leitura de um manifesto da esquerda, desta vez como letra de uma escola de samba.
A esquerda só se acalmou quando a escola deixou a Marquês de Sapucaí sem que se registrasse um só fato capaz de caracterizar propaganda eleitoral fora de época. A não ser que como tal seja entendido o gesto de Lula de beijar a bandeira da escola.
Chegou mudo na Sapucaí, negando-se a falar com jornalistas, e foi embora calado. Janja, a primeira-dama, desistiu de pontificar no carro alegórico que fechou o desfile, sendo substituída pela cantora Fafá de Belém. A cobertura da TV Globo foi protocolar.
O que mais chamou atenção no desfile da Acadêmicos foi a Comissão de Frente. Nela, um figurante que fazia o papel do ex-presidente Michel Temer tomava a faixa presidencial de Dilma Rousseff e a entregava a Bolsonaro, fantasiado de palhaço Bozo.
A escola “cutucou” a direita com fantasias de “conservadores em conserva” e criticou Donald Trump, com roupas que faziam alusão ao personagem Mickey, da Disney. Alguns foliões da frisa do Setor 11 do Sambódromo protestaram dando as costas ao desfile.
Do ponto de vista político, este carnaval, pelo menos até agora, está sendo de Lula e da esquerda. Em Belo Horizonte, cerca de 200 foliões, reunidos por grupos conservadores, saíram no “Bloco da Anistia”, cantando o Hino Nacional em ritmo carnavalesco.
A Acadêmicos de Niterói não é páreo para as grandes escolas. Subiu para o Grupo Especial porque uma das grandes caiu no ano passado. Deverá ser rebaixada. Mas não porque exaltou Lula.
(BLOG DO NOBLAT)