Romeu Aldigueri não chegou à Presidência da Assembleia por uma trajetória linear de poder interno, tampouco por protagonismo midiático prévio e plenejado. Sua ascensão resulta, antes de tudo, da leitura correta do momento político e da capacidade rara de se ajustar a ele. Trata-se de um percurso típico das circunstâncias em que a política impõe o abandono do improviso e passa a exigir engenharia institucional fina: quando a sustentação de alianças, diante de demandas cada vez mais complexas, depende menos do ruído e mais da combinação entre equilíbrio, inteligência estratégica e talento individual.
Na sequência, ao assumir o comando do parlamento estadual, Aldigueri passou a atuar como fiador institucional de um arranjo político mais amplo, no qual não estavam em disputa apenas espaços administrativos, mas a própria permanência de Cid Gomes no campo governista, a estabilidade do governo Elmano de Freitas e a manutenção do eixo camilista como centro de gravidade do poder estadual. Não se tratava de exercer a liderança pela força da imposição, mas pela lógica da funcionalidade, a capacidade de fazer o sistema operar sem rupturas, ruídos ou sobressaltos.
Nesse papel, Romeu tem demonstrado lealdade não a uma figura isolada, mas às delicadas circunstâncias que o alçaram ao posto. Ele próprio reconhece, e faz questão de registrar, que sua presidência é fruto de um arranjo político específico. Ao invés de tentar reescrever essa origem, a incorpora como método. Age com prudência, evita gestos vazios de vaidade personalista e preserva o fio (em política, sempre tênue) que sustenta a base.
Sua experiência administrativa ajuda a explicar esse comportamento. Como ex-prefeito de Granja e ex-gestor em órgãos ambientais estratégicos, como Ibama e Semace, Aldigueri conhece os limites do discurso fácil e o peso da execução. Isso o torna menos afeito a radicalismos e mais atento à viabilidade política e administrativa das decisões.
No comando da Assembleia, essa bagagem se traduz em um estilo conciliador, mas firme, institucional, mas atento às ruas; respeitoso à hierarquia política, mas consciente de que o Legislativo não pode ser mero apêndice do Executivo.
Quem conhece a política entende que o papel de Romeu Aldigueri é menos como o de um presidente expansivo e politicamente excessivo e mais como o de um operador silencioso de estabilidade. É ele quem atua para desarmar ruídos antes que cheguem ao plenário, quem administra expectativas de bancadas heterogêneas e quem, nos momentos de tensão, funciona como ponte entre as diversas forças, no âmbito do pluralismo que é próprio do parlamento.
Aldigueri não cria crises, mas também não foge delas. Prefere resolvê-las fora dos holofotes, preservando a imagem institucional da Assembleia e, sobretudo, evitando que disputas internas sejam lidas como fragilidade do governo. Esse comportamento não é casual: decorre da consciência de que sua presidência não é um projeto individual, mas parte de um arranjo maior, delicado e ainda em consolidação.
Romeu não é o centro do jogo, mas é um dos alicerces que impede o desabamento em uma aliança antiga e que sofre os naturias desgastes do tempo. Em política, isso costuma ser mais decisivo do que ocupar o topo da pirâmide.
(Blog do Fábio - Focus.JOR)