
Depois de identificar que 24.232
servidores públicos estaduais e municipais no Ceará podem ter recebido, de
forma irregular, o auxílio emergencial relacionado à Covid-19, a Controladoria
Geral da União no Estado (CGU), agora, vai procurar 165 municípios para
entregar a lista dos profissionais suspeitos às gestões. O trabalho foi uma
parceria com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). O Governo do Estado e mais
15 prefeituras, as de maior número de casos, já receberam os dados até ontem,
totalizando 180 cidades. Apenas Hidrolândia, Jardim, Campos Sales e São
Benedito não têm servidores envolvidos.
São 4.564 funcionários ligados ao
Estado que estão na lista encaminhada ao Palácio da Abolição na quarta-feira
(10). Os municípios que lideram a quantidade de pessoas investigadas são
Fortaleza (1.587), Jijoca (628), Acaraú (505), Crateús (489) e Parambu (472).
Caridade, Cariús e Uruoca têm um servidor cada nesse cenário de investigação, e
estão no fim da lista.
Os nomes dos investigados não serão
divulgados, já que eles ainda estão na condição de suspeitos. Servidores
cearenses que já receberam Bolsa Família ou outro benefício social (total de
16.131) tiveram o auxílio emergencial liberado automaticamente pelo Governo
Federal. No entanto, outros 8.101 fizeram o cadastro do benefício manualmente,
ou seja, de forma intencional.
Cada município e o Governo do Estado
analisarão caso a caso, de acordo com o superintendente da CGU-CE, Giovanni
Pacelli. “Separamos por município e por Estado. Estamos mandando a planilha compartimentada.
O municípios só recebe os dados dele”, explica. Todos os 24.232 servidores
tiveram, imediatamente, o recurso cancelado a partir do cruzamento das
informações resgatadas.
De acordo com o superintendente do
órgão, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) deve fazer o
acompanhamento dos casos. Embora o recurso seja federal, os servidores fazem
parte das esferas municipal e estadual. Nessa situação, são os prefeitos ou o
governador que devem abrir procedimentos de investigação internamente.
A operação também identificou
irregularidades com profissionais federais. Os dados foram remetidos à
Diretoria de Previdência e Benefícios, da CGU em Brasília.
(Diário do Nordeste)